Meu Didi

sábado, 10 de janeiro de 2015


Lembro como se fosse hoje.

Estávamos agoniadas, eu, com sete anos, e várias mulheres. Todas sem saber o que fazer.

Lembro de ir com uma delas até um orelhão, tentar a sorte e ver se obtínhamos notícias.

Mas nada... O tempo passou e creio que cada minuto ficava mais difícil a tarefa de me distrair.

Era umas cinco da tarde quando a porta abriu de uma vez só, o barulho dela batendo contra a parede ainda é claro. 

De repente, ele entra impetuosamente.

Não vê nada. Não vê ninguém.

Passa por todas as mulheres que perguntam sem parar. Ele nada diz.

Avança. Avança como se tivesse ainda em uma missão.

Se dirige para o quarto e se joga na cama. Atravessado. De braços abertos. Rindo sem parar. Gargalhando!

E enquanto todas nós esperávamos por notícias, ele diz:

- É um guri!

E foi assim que meu irmão se concretizou na minha vida.

Lembro alguns dias depois quando fomos buscá-los no hospital, ele e minha mãe.

Eu com sete anos não poderia entrar. Eu sabia. Dias tinham se passado desde o nascimento e eu ainda não o tinha visto.

Meu pai falou que tínhamos que levar flores para minha mãe e que eu deveria colocar um vestido branco. Não recordo se chegamos a levar as flores, mas eu estava de branco.

Quando entramos no elevador meu pai disse:

- Cíntia, se alguém perguntar você diz que é enfermeira e trabalha comigo.

Eu achando o máximo e acreditando que estávamos enganando alguém, entendi finalmente o porque do vestido branco. Naquele dia, eu era enfermeira, meu pai, médico e íamos finalmente levar meu irmão e minha mãe para casa.

Entrei e fiquei encantada com meu irmão. Meu pai, preocupado em me localizar na loucura toda, me deu uma tarefa.

- Cíntia, senta na cadeira e segura o mano enquanto eu ajudo a mãe. Não se preocupe, você é a nossa enfermeira.

E eu segurei e me apaixonei.



 Eu (o vestido branco) e meu irmão. 1982.


 Eu e ele. Cruz Alta. Nessa nem  precisa de teste de Carbono 14, o cabelo já diz que é década de 90!


 Ele e Felipe, Porto Alegre, creio que 2007... Essa foto tem uma história, não é atoa que ambos estão com esse sorrisão!

 Felipe, meu irmão e a Dinda Xumiguinha. Só na farra. Acho que em Porto Alegre...

Eu, Mestre Branco, minha mãe (isso, loira!) meu irmão e a Mi (tirando a foto). Sinop, creio que em 2009.

 Os dois guris dormindo. Pai e filho. Janeiro, 2015.

 Rickson e Antônio, novembro de 2014.

Parabéns meu Didi! Te amamos muito! Feliz Aniversário!



P.S.¹: Quando me deram aquele trocinho para segurar eu fiquei em pânico, olhei para suas mãozinhas e vi que estavam murchas, enrugadinhas,  pensei: - Meu irmão é velho, e agora?

P.S.²: Essa é uma memória que tenho, você não tem. Achei que era hora de registrar para que nunca esqueça do quanto te amamos e do quanto ele te amou e que você significou o mundo para ele.


2 comentários:

Tuca postou o comentário de número:

Oi Cissa,
Tenho somente um irmão, e como temos diferença de um ano e dois meses (nasci antes) de idade, sempre fomos unha e carne rsrsrs. Nossa infância foi muito boa, com tudo o que tínhamos direito, e tenho as melhores lembranças, e são muitas. Desejo felicidades a seu irmão. Família é tudo de bom, e irmão mais novo não tem preço rsrsrs. Bjs.
Tuca.

Luma Rosa postou o comentário de número:

Oi, Cissa!
Cormo é bom reviver o passado com lembranças boas! Quantas vidas cabem em apenas uma vida!
:)
Parabéns por saber valorizar os momentos! Felicidades para todos!!
Beijus,

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