Sobre diabetes e dieta

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

 

Quem acompanha os posts ou o face, percebeu que estou fazendo uma dieta diferente, radical para alguns, a Nova dieta revolucionária do Dr. Atkins. Zero Carboidratos. Muitos me pedem as receitas dos pratos que estou fazendo ou dicas sobre a dieta. Porém, antes de me ater a dieta quero falar o que me levou a ela.

Há quatro anos atrás, numa tarde de novembro, corri para o laboratório para pegar o exame que iria transformar minha vida. Filha de diabéticos tipo 2, sempre me foi alertada a importância do acompanhamento do nível de glicose. Para sorte minha, os resultados sempre foram excelentes. Até aquela tarde.

Peguei o exame, entrei no carro e quando li, vi que nada mais seria igual. Durante anos ouvi todos a minha volta dizendo que se eu tivesse diabetes, eu morreria, porque, embora não comesse muito, nunca me privava de pequenos prazeres, além de ser muito indisciplinada nos hábitos alimentares.

E naquela tarde, tive que enfrentar isso. Eu tinha diabetes e morrer, definitivamente, não era uma opção.

Para agravar, meu pai havia morrido 3 meses antes em decorrência de um choque séptico, comum em pacientes diabéticos.

Corri para o médico que me disse claramente que eu tinha me feito isso, que era gorda, sedentária e, agora,  diabética. Que ao contrário do diabético tipo 1, eu tive o poder de decidir meu futuro, mas tomei a decisão errada.  Me prescreveu remédios e me tirou tudo o que eu costumava comer, restando apenas folhas e porções pequenas de proteína.

Agradeço ao médico que me assustou ao extremo no primeiro contato, se ele tivesse me tratado de forma amena ou me classificado como pré-diabética, nunca teria me conscientizado do perigo que me cercava.

Desse tempo para cá, sempre com acompanhamento médico, muitas versões de dieta me foram apresentadas, algumas permitindo mais, outras nem tanto. Sempre procurei fazer o melhor, o peso de todas as afirmações de que se eu fosse diabética, morreria por indisciplina,  me fez  decidir contrariar a todos. Mas nem sempre foi fácil e muitas foram as derrapadas.

Fiz tudo certinho, emagreci 18 quilos e vivi um período de lua de mel com minha glicemia. Fazia exercícios e tudo estava bem. Até entrar na fase mais complexa…

Mesmo com a dieta na ponta do lápis e com os exercícios, não emagrecia mais. Comecei a ter hipoglicemias e todo o esforço ia por água abaixo ao ter que ingerir açúcar rápido para regularizar. Comecei a viver a montanha russa, minha glicemia subia assustadoramente, principalmente em situações de estresse e, descia vertiginosamente sem nenhum motivo. Nada adiantava.

Exercícios foram proibidos ao ser diagnosticada com mais uma doença autoimune, o lúpus, meu organismo estava entrando em colapso rapidamente, nada mais funcionava.

Com a restrição ao doce, os produtos diets, sem adição de açúcar, mas altamente calóricos, surgiram como um milagre. Pelo nível altíssimo de sódio, sempre tomei cuidado para não ingerir em grandes quantidades, por medo de danificar os rins, mas o fato do organismo não responder mais a dieta e o ganho de peso constante me fizeram buscar outras possibilidades.

Em janeiro do ano passado, corri para a médica em busca de um milagre, a sensação do momento, o victoza, injeção diária que prometia regular a glicemia e,  ao mesmo tempo,  perder peso. Fora o valor elevado do medicamento e ter que injetar diariamente o medicamento direto na barriga, o fato de ter uma perda de peso quase insignificante, me fizeram desistir logo.

Voltei para a minha dieta normal e trabalhava a ideia de que ela seria para sempre. Até a metade do ano passado.

Comecei a sentir um cansaço tremendo, qualquer coisa que comia me fazia passar muito mal.  Tudo se agravou a partir do dia 8 de dezembro de 2012.

Nas festas do final do ano passado, cheguei ao limite, mal conseguia ingerir água. Os médicos diziam que era a vesícula, embora eu falasse que o peso que sentia era no fígado. Como em exames anteriores tinha aparecido um cálculo, depois de algum tempo e vários conselhos, decidi operar a vesícula e uma ultrassom foi solicitada. Isso foi nos primeiros dias de 2013.

No dia do exame, enquanto eu esperava contar quantos cálculos tinha, o médico chamou minha atenção para o fígado, e ali estava o problema. Além do excesso de gordura impressionante que deixou o médico sem ação e me assustou muito, meu fígado tinha 3 vezes o tamanho normal, segundo ele, estava a beira da cirrose hepática.

Voltei ao médico que iria operar minha vesícula com o resultado dos exames. Ele me mandou procurar um grande centro, passar por uma equipe de profissionais para ver o que poderiam fazer, que o caso era muito grave e que não poderia descartar,  inclusive, o transplante de fígado.

Achei que ia morrer… Fora o desespero por saber que algo grave se passava, minha condição física debilitava me impedia de acreditar na recuperação. Passava mal por qualquer esforço, estava completamente inchada, parecia que ia explodir, não conseguia comer nada sem passar mal, minha glicose subiu absurdamente, sem que nada fizesse voltar ao normal.

Meu único pensamento era: “Que merda!”

Puxa, tinha transformado minha vida, fazia o exame de fundo de olho uma vez por ano, consultava a endócrino direitinho, fazia xixi durante 24h num pote e guardava na geladeira, anualmente, para ver como estavam meus rins, fazia os exames solicitados, cuidava para não ter nenhuma lesão, fazia a dieta… Que merda!

Depois de me permitir achar que iria morrer, chorar as pitangas, me vitimizar, precisava fazer algo.  Conversei com minha médica em Porto Alegre, enviei os exames, alteramos a medicação do diabetes e definimos que eu necessitaria perder pelo menos 10 quilos até março, quando vou a Porto Alegre,  para ver como meu fígado reagiria. Ok, eu posso fazer isso, pensei…

Daí veio outro tipo de desespero: como emagrecer tanto? Que dieta fazer já que estava no limite da minha, que, por sinal,  não surtia mais efeito?

Foi nessa hora que uma  amiga me chamou inbox no face e me deu a resposta que eu precisava. E foi assim que a Fátima Guimarães me reapresentou a dieta do Dr. Atkins.

 

 

Continua…

5 comentários:

Lúcia Soares postou o comentário de número:

Começando a me assustar! Tenho muito mais idade que você, não tenho diabetes, mas a glicose está no limite da boa, sou sedentária, estou uns 15 kg acima do peso, e tb tenho esteatose hepática, grau médio.
Tenho endocrinologista marcada para 21/02. Para mim, o duro é ter que fazer exercícios físicos, mas vou encarar, com fé.
Na torcida, sei que você ficará "zero bala". Força e fé.
Beijo, Cissa.

Nanda postou o comentário de número:

Nossa, Cissa, que dificuldade!
Ainda bem que você está encontrando forças para superar tudo e ter uma vida mais saudável!
Estou torcendo por você...

Taia Assunção postou o comentário de número:

Puxa, estou tão longe desde outubro. Espero que tudo esteja bem, também tive que parar com os exercícios, por causa das inflamações nas grandes articulações que tive nos últimos meses, mas não ganhei peso. Ainda tenho o desafio de perder 16 quilos, recomecei meus exercícios, ainda devagar, mas chegarei lá. Força! Vai dar tudo certo! Beijocas!

Palavras Vagabundas postou o comentário de número:

Cissa,
só posso desejar sucesso na dieta e torcer para que encontre uma perfeita qualidade de vida!
bjs
Jussara

Luciana. postou o comentário de número:

Nossa Cissa, que bom que você descobriu logo e está revertendo tudo isso.
Estou torcendo muito por ti.
Bjos, Lú.

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