Sobre o BBB e 50 Tons

sábado, 26 de janeiro de 2013

 

Creio que o mundo pertence aqueles que sabem aproveitar as boas ideias, mesmo,  necessariamente,  não sendo autores das mesmas. O ato de ver algo e transformar em outro diferente, tirando proveito de nuances diferenciadas é o grande achado contemporâneo. Dois fenômenos nos mostram isso: o Big Brother e a aspirante a escritora E. L. James e sua trilogia Cinquenta Tons.

Todos sabem que E. L. James escreveu sua obra a partir de uma fanfic de Crepúsculo. Pegou a história, trocou algumas coisas, acrescentou outras, transformou o tema vampiresco em BDSM, colocou cenas quentes onde só tinham insinuações e bummm! Sucesso astronômico, faturando mais que a autora de Crepúsculo. E pasmem, E. L. James ainda pede para que outras autoras NÃO se baseiem em seu livro…

Já o Big Brother, esse sim é uma preciosidade. Ideia de gênio! O criador da atração estava completamente inspirado ao transformar a obra prima de George Orwell, uma obra de ficção, escrita em 1948 que retrata, segundo alguns o viver socialista da extinta  da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, enquanto para outros é um crítica velada à direita americana, em reality show.

Isso é o que me atraí no Big Brother. A ousadia de enxergar a frente e propor um universo controlado onde todos vivem à mercê de um Grande Irmão.

Acho maravilhoso ver os participantes  propagando a ideia de Irmãos, nunca apologia deturpada do sentido original do Grande Irmão. O Grande irmão, Big Brother, original de Orwell e do reality, é aquele que tudo vê, que dita as regras, que determina a ordem do mundo. É aquele a que todos devem satisfação, a quem servem, a quem devem agradar.

Outra coisa que me encanta no programa é a edição da realidade. O Grande Irmão mostra o que quer, constrói e destrói personagens. Cria fatos e os recria com maestria, assim como no livro, onde fica claro que o Big Brother reconstrói a realidade de acordo com os seus interesses. Para aqueles que participam ou assistem, resta assimilar essa nova realidade e adequa-lá a seus conceitos. Isso é primoroso.

Vejo pessoas furiosas com a edição do Boninho, no caso do BBB, iradas com o que se repassa à massa, mas essa é a essência do programa! Aos privilegiados, aqueles que assistem ao Pay per view, cabe a tarefa de, utilizando as mídias sociais, espraiar a “verdade”. Isso é fantástico! E o grande embate acontece quando as massas, com informações lapidadas lutam contra os detentores da “verdade” e decidem quem o grande irmão mandará para casa.

É uma disputa social, econômica e política, de valores, de conceitos, de realidade.

A partir daí, aos interessados, surgem uma série de dados para analisar a sociedade em que vivemos e reforçar suas formas de manutenção do poder.

Creio que o único defeito no programa seja seu apresentador, Pedro Bial. Jornalista consagrado, o mesmo que cobriu a queda do muro de Berlin, se vê pouco a vontade na apresentação de um programa que,  à princípio, pode parecer superficial.

Bial ainda não percebeu que está falando às massas, sempre quer deixar claro sua supremacia intelectual, principalmente nos discursos de eliminação. Algo desnecessário e pouco produtivo, tanto para o apresentador, quanto para o público. O papel do apresentador nada mais é do que reforçar a realidade ilusória do programa.

Enfim, fora o apresentador, creio que o programa nunca esteve tão fiel a obra original. Assim como, E.L.James, mesmo escrevendo muito mal, criou um novo gênero literário e deu um novo perfil a versão antiquada do príncipe encantado, tornando sua Trilogia muito mais atraente que a versão original.

A única coisa que não me conformo é ver o Bial utilizando, no mesmo discurso, Raul Seixas e Karl Marx. Isso é demais para mim!

 

P.S.¹: Gosto da Trilogia 50 Tons, na realidade, adoro o Christian Grey. E não me venham com a história que é um horror o livro, que bater em mulher é um absurdo, porque o livro não trata disso. O livro aborda um universo leve do BDSM, prática sexual, de comum acordo entre os envolvidos.

P.S.²: Às vezes me parece que o Bial morre de vergonha de apresentar o BBB.

18 comentários:

Aninha postou o comentário de número:

O pior é a gente morrer de "vergonha alheia" pelo Bial, pior que ele no bbb é aquela tentativa de programa que ele fez, pior só o da Fátima Bernardes, tão politicamente correto, que é um saco, devia ser apresentado por ela com a Sandy e todos os Limas... bjs!!!

Valérie Roberto postou o comentário de número:

Cissa querida, respeito sua opinião, mas depois que tomei uma pílula azul da Matrix, não consigo mais assistir BBB.

Assistir um programa que sei que é todo de cartas marcadas, parcial ao extremo, onde a realidade é distorcida, para mim não dá. Respeito quem goste, não critico.

Não consigo deixar de rir quando vejo o Bial e me lembro do Caesar Flickerman, apresentador de cabelo azul de Jogos Vorazes. Ele consegue ser rídiculo tanto quanto, mesmo de cabelos grisalhos. Ainda mais desfilando sua intelectualidade a grande massa (Quem tem um olho em terra de Cegos é Rei!).

Bial se rende ao BBB e não tem vergonha disso. Se tivesse, não teria passado do segundo (já que o primeiro ainda era capaz de iludir mais fielmente seu público) Ou ele cansou de ser repórter de grandes fatos (dá pouca grana e muito trabalho) ou acredita fielmente que só é capaz de apresentar o BBB na sua vida. Só ele sabe.

Quanto a 50 tons de cinza, cada dia que passa diminui meu interesse em ler esta trilogia. Depois do que vc acabou de contar então... Li muita Sabrina, Bianca e Júlia na minha adolescência, acho que preciso não de mais. Se for para ler sobre sexo, que seja pelo menos bem escrito, como deve ser bem feito, senão não tem graça. Rsrsrs

Desculpe não ir de encontro aos seu post, mas acho que a gente consegue discordar sem mimimi né?

beijinhos

Luciana Aragão postou o comentário de número:

Palmas!
lendo tudo lembrei-me das aulas de psicologia 1, sociologia e geografia política na universidade.
O olho que tudo vê! o big brother é a casa do telespectador, este sim está preso! O Big brother é a nossa casa e nós somos os "herois" que Bial tanto insiste em nomear.
parabéns pela crítica muito verdadeira e aprofundada. Sei que muitas pensam apenas no lazer que o programa deve proporcionar mais tem muito mais coisa envolvida...e que as pessoas não sei, acho que não querem perceber...

Por isso que te adoro!!!
bjssss!!

Tatiane Rosa Domingues postou o comentário de número:

Adorei, não li os 50 tons porque ainda não dá tempo nem outras cosinhas mais que dizem que o livro desperta... mas logo lerei.

Mas gostei das suas comparações e constatações de livros, autores, muito bom.

O BBB não consigo ver, acho que a baixaria apelativa sexual reina absoluta, perda do meu tempo... Gostava mais quando tinham discussões um pouquinho mais pensadas e de convicções e menos gente sem roupas.

Obrigada por compartilhar ideias, adoro isso.
Beijo

Neli Rodrigues postou o comentário de número:

Vc, como sempre, escreve com grande maestria.
Expo tudo de maneira sucinta e verdadeira, um primor!
Gosta de tudo isso quem quer. Se é bom ou não, vai de cada um.
Não gosto de BBB, mas respeito quem gosta.
Gosto de 50 Tons e não dou ouvidos pra quem não gosta.
Tb achei mta bom o comentário acima, da Roberta.
Bjs

Neli Rodrigues postou o comentário de número:

Desculpa, do comentário da Valérie Roberto.
Bjs

Casa da Rê etc e tal... postou o comentário de número:

Olá, de repente o BB pode até ter sido uma preciosidade quando a ideia surgiu, mas hoje.. sinceramente me desculpe discordar de ti, acho uma boa porcaria que não acrescenta nada as pessoas, já que o povo lá não faz nada de produtivo, só comem, dormem e como dormem (só faltava matar minha mãe que ficava "vendo" no pay-per-view, vendo o quê? eu me perguntava kkkkk), ficam na piscina e ah, falam de sexo, claro!
Amo esse texto aqui do Veríssimo: http://casadareetcetal.blogspot.com.br/2013/01/amo-verissimo.html
que concordo em número e grau.
Dos 50 tons não posso falar, pois nunca li, mas provavelmente nunca lerei, não faz o meu tipo, apesar de ler de tudo.
Se eu fosse um jornalista do naipe do Bial, acho que também ia ter vergonha de apresentar o programa kkkkkkkkkkk
bjs
obs: desculpa discordar, mas vc escreve muito bem!

Luzia Lira Pedagoga postou o comentário de número:

Adoro BBB , acho um entretenimento saudável. Não vejo a maldade que dizem existir. Acho realidade . Pura e simplesmente. É um sonho de milhares de pessoas.Mesmo que seja tudo combinado. Tem um momento ali q ninguém consegue fingir. Só não é totalmente o meu sonho tb, pq passei da iddae, rs.
Devo ser meio "burrinha", só pode.

Quanto ao livro não li. Minha filha leu e amou.Praticamente só saiu do quarto quando terminou a leitura.

Ah, adoro ler seus post. Aprendo muito.


Bjos Luzia

Neli Alves postou o comentário de número:

Eu não vejo BBB, não mais. Nos primeiros havia a novidade, e eu assisti para relaxar. Mas. adorei o post, como sempre muito bem escrito, original e interessante. E a referência a Orwell, um escritor que amo desde sempre!
Bjks. Neli

Telma Maciel postou o comentário de número:

Excelente o seu texto, Cissa! Mas eu não consigo ver BBB mais... pq acho mto manipulado. Posso ter essa opinião exatamente pq não assisto mais. Mas, enfim... não consigo! Mas já consigo entender e respeitar quem assiste, sem chamar essa pessoa de burra ou ignorante. Isso é preconceito! rs Principalmente qndo parei pra pensar e descobri que tenho tantas amigas INTELIGENTES e ESPECIAIS q assistem ao programa... não dá pra generalizar a coisa... Eu não gosto? Ponto. Não preciso assistir. Mas devo respeito aos q assistem!!
Sobre o livro... ainda não consegui ler! rs Tá complicado pra mim e nem sei pq! kkkk Um dia termino!
Bjks

Lúcia Soares postou o comentário de número:

Ótimo texto, Cissa. Lúcido.
Concordo totalmente quanto ao Bial estar deslocado ali. Para mim, perdeu a importância, como bom jornalista que era. É descer na escala, em vez de subir, profissionalmente.
Não li Orwell (inexplicavelmente) nem E.L.James (explicavelmente rs).
Mas entendi toda a sua colocação, com a qual concordo.
Também assisto ao BBB, agora com muito pouco gosto, acho que até o 10º programa foi legal, depois as pessoas passaram a ficar muito sem graça, não servem nem pra análise de comportamento, tão vazias são, na maioria. Gosto de ver a votação do paredão e a eliminação. rs
No mais, você vai a fundo, como sempre.
Beijo e boa semana.

Palavras Vagabundas postou o comentário de número:

Cissa,
gostei de sua análise e paralelo.
Já a umas três edições não vejo BBB, então ando bem por fora sobre o que está acontecendo. Sei que a fórmula está desgastada como entretenimento e nessa edição estão rebolando para o ibope melhorar, quanto ao Bial eu sempre tive a impressão que ele meio que se envergonha de apresentar a atração.
Sobre os 50 Tons, nunca fui contra o livro, li o primeiro pela metade e realmente não gostei da escrita, nada contra o tema. Eu acho fantástico que a autora tenha encontrado um nicho que anda tão pouco explorado no mundo editorial (mulheres entre 30 e 50 anos), chega de magos e livro adolescente! O que me agonia um pouco é que tudo são jogadas de markerting - principalmente no mercado editoral americano - então autores talentososo podem estar sendo deixados para trás. Enfim são os tempos modernos, comandados pelo Grande Irmão mercadológico.
beijos
Jussara

Patricia Helena postou o comentário de número:

Cissa, eu nao assisto tv ha uns 10 anos. Orgulho-me de morar no meio do mato e nao ter antena. Nao me faz falta um programa de suposta realidade. Se quero fugir da realidade, vejo um filme ou leio um livro. As pessoas reais, que vejo no dia a dia, com suas historias e dramas, sao muito interessantes.
E qto a trilogia, nao me interessa, pois nao vejo nada de inovador. Como alguem ja disse ai em cima, sempre existiram revistas Julia, Sabrina... e se eu quiser ler sobre o assunto, vou direto no Marques de Sade. Desculpe a falta de acentos. Bjs.

Veronica Kraemer postou o comentário de número:

Ci querida, relamente quem se dá bem é que enxerga a oportunidade, aproveita e manda bala.
Eu adoro 50 tons também, to nem aí! rs
E o BBB, tá cada dia pior, mas a gente ama, né?
Ci, obrigada por seu carinho lá no blog, me emocionei! É bom e faz falta!
Tenho muitas saudades de ti!
Beijossssssss e uma linda semana
Vero

Márcia Balz postou o comentário de número:

Querida Cissa!
É bacana simplificar a analogia do BBB/O Grande Irmão/Cotidiano. Cabe lembrar que George Orwell foi aluno de Aldus Huxley ( Admirável mundo novo-1932) de também descrevia uma sociedade de castas controlada pelo governo.
Atualíssima. O Boninho controla o BBB, as edições manipulam nossas opiniões, o governo e o capital nos controlam através do chip, cpf e outros números. O Face nos espiona, analisa nossos likes e links. Enfim nós vivemos entro no BBB e nem nos damos conta disso. Além de ti outros estarão lendo esse comentário. Paranóica, eu?
Bjim Cissa!

Lílian Almeida postou o comentário de número:

Olá Cissa, gostei de muitos pontos que você colocou no seu text, achei também onteressante saber um pouco mais sobre a origem verdadeira do Big ,coisa que eu iginorava, é realmente um fenomeno!
Lilian – Blog:♥Duas Moças Prendadas!
casascoisaseoutros.blogspot.com.br/

Pepa postou o comentário de número:

Oi Cissa, é a Vi, prefiro não dar pitacos no que desconheço, não assisto BBB, se vi uma vez, foi muito,e os 50 tons não li, e não vou ler..
Já tive um gosto literário bem eclético, comecei a ler muito jovem, e lia tudo que caia em minhas mãos, hoje é difícil algum tipo de literatura que me surpreenda ou agrade, vejo muita coisa repetida e enfadonha..e sinceramente, não tenho mais paciência para certas coisas..kk
Ainda oque me atrai são as ficções, não a infantil, com bruxos e vampiros, mas ficção envolvendo tecnologia..
Mas achei ótima sua explanação, fazendo à relação entre BBB e George Orwell e a escritora do 50 tons com Crepúsculo.., de tudo podemos tirar aprendizados, basta que estejamos aptos a discernir entre o que é positivo ou negativo para nós.
Muitos beijos,Vi

Chris Ferreira postou o comentário de número:

Oi Cissa querida,
passei para desejar uma boa semana e deixar um beijo.
Beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/

Você co
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