Esmalte e livros

sábado, 11 de agosto de 2012

 

Os livros sempre estiveram presentes na minha vida. Mesmo oriunda de família humilde, livros e material de leitura sempre eram abundantes.

Minha mãe era uma leitora ávida. Meu pai, ah meu pai… Meu pai tem uma história interessante, acho até que já contei aqui.

Meus pais se casaram e somente depois de algum tempo, minha mãe descobriu que meu pai era analfabeto. Ele foi indicado para um emprego e chegando na empresa pediram que ele preenchesse um formulário. Ele alegou que havia esquecido os óculos e levou o formulário embora. Depois de um tempo, minha mãe foi questionada se meu pai não iria entregar o currículo. Aí o caldo entornou e ele teve que confessar que não sabia ler e escrever.

Minha mãe matriculou ele no MOBRAL, de onde ele foi expulso logo no primeiro dia, pois tinha uma linda grafia e a professora achou que ele estava tirando onda com a cara dela. Minha mãe teve que ir até a escola e confirmar que ele somente sabia desenhar as letras.

Depois disso, ele estudou o quanto pode, e mesmo nos seus últimos anos de vida, ainda estudava sonhando em concluir o Ensino Médio, coisa que a vida não permitiu.

Creio que por isso, os estudos e a leitura sempre foram apresentados para mim como status. Não o carro, não a casa, mas o conhecimento! A qualidade da educação que você investe na família.

E assim foi, sempre li horrores. Na adolescência, pedia para as colegas tirarem livros para mim na biblioteca da escola, onde só eram permitidas duas retiradas por semana. E foi aí que me apaixonei pelos russos. Ah, os russos…. Vibrei com os Irmãos Karamazov”, chorei e ainda choro toda vez que leio Anna Karenina”.

Na faculdade, ler era fundamental.

Acreditei, por alguns instantes,  em extraterrestres lendo Eram os Deuses Astronautas”, fui à luta com mais ímpeto depois de ler O Manifesto Comunista”, sofri com A Era dos Extremos”, bem como com a eleição e reeleição do FHC, principalmente porque havia lido anteriormente suas obras.

Enfim, conheci os Jardins Suspensos da Babilônia, analisei a Hipótese Causal Hidráulica, presenciei a construção da pirâmides, me rendi a história medieval, vivenciei as Cruzadas, participei da Colonização do mundo (considerado primitivo) exaltei Quetzalcóatl, vi a ascensão de Lenin, fui banida junto com Trótski, assisti o enterro de Stálin, me revoltei com o Estupro de Nanquim, com o Apartheid, com o Massacre de Soweto e de Eldorado dos Carajás. Presenciei a e a 2ª Guerras Mundiais, assim como as demais guerras movidas pelo capital, embora insistam em dizer que algumas são Guerras Santas… Como se fossem… Vi o povo servindo de massa de manobra tantas vezes que perdi a conta: Revolução Francesa, Revolução Russa, Independência do Brasil, Revolução Industrial, Caras Pintadas, Impeachment de presidente. Assisti o Assassinato de Guevara, uma pequena nação enfrentar bravamente o embargo de outra,  tantas vezes mais poderosa… Vi e vivi isso muitas vezes.

Talvez, a lição mais marcante que tenha aprendido na universidade é de que: “é necessário olhar nas entrelinhas” e fiz isso durante muito tempo.

Então, como uma tentativa de manter viva minha esperança e fé na humanidade, resolvi não ler mais obras específicas. Então, foi a vez dos clássicos.

E foram  muitos: ainda suspiro por  Um Certo Capitão Rodrigo”, Olhei(aí) os lírios do campo” e sou fã incondiconal da saga “O Tempo e  o Vento” e de seu criador, Erico Verissimo. Sofri, chorei e deprimi com o “Velho e o Mar”, viajei com O Morro dos Ventos Uivantes”, me choquei com a “Insustentável leveza do ser”, me esbaldei nos braços e “Abraços” de Eduardo Galeano e me rendi aos Cem anos de solidão”, de Garcia Marquez. Sem falar em José de Alencar, Machado de Assis e outros tantos que a memória não ajuda a resgatar.

Hoje, por opção de vida, como diz minha amiga Fernanda Reali, escolhi ser feliz, e preciso de leituras leves, contos de fada, nada de realidade, pois sei de experiência própria que a realidade é dura e feia. Hoje quero leituras de consumo rápidas, de fácil digestão, de vislumbramento de mundos melhores e aquéns desse em que vivemos.

Ainda leio obras pesadas, históricos quando me interessam muito e clássicos por puro prazer, mas no dia a dia, quero algo mundano, que apimente minha vida, que me faça sonhar, sem a necessidade de entrever as linhas, de revelar aquilo que está omisso, me dando o direito apenas de viajar por lugares, tempos e personagens que em nada se parecem com tudo o que vi, li e, consecutivamente,  vivi.

O que escolhi para mostrar? Esses aqui!

Presente do meu amor! Tchékhov…

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Presente daquela que me chama de Monga, Fernanda Sahira!

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Presente do Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT.

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Presente da minha amiga Andréia Zattoni!

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Livros no escritório. Dois aí são do Clube do Livro e outros dois ganhei da querida Elaine Biason.

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Uma das leituras dos meninos aqui em casa. Eu nunca leio porque sempre aparece fotos de cobras, e como é público e notório, tenho pavor a elas!!!

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No quarto do piá, sua prateleira de obras especiais!

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Detalhe, livro Alex e Penny que Felipe ganhou da talentosíssima Diacuy. Clica aqui e vai ver que desbunde as fotos dessa mulher!

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No criado mudo do benhê…

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No ateliê, livro maravilhoso que ganhei da preciosa Fernanda Reali!

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E para finalizar, nossa cestinha de dicionários, alguns deles, porque entender o que se lê é fundamental!

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Nas unhas, café, rebu e rubi, o clássico dos anos 90!

 

Agora corre lá na Fernanda Reali e veja o que a mulherada anda lendo!

fernanda-link

 

 

P.S.¹: Dedico esse post aos homens da minha vida, que foram, são e serão os melhores pais do mundo: Meu pai,  a quem a vida me tirou precocemente, mas quem eu amo e sinto imensa saudade. Ao pai do meu filho, Mestre Branco e azul, que além de ser um exemplo de pai, é o amor da minha vida. Ao meu Irmão Colorado, o pai do Antônio, que em breve vai entender o que é ter aquele ser pequenino nos braços. E finalmente, ao meu Felipe, aquele que me fez melhor e a quem dedico o meu melhor, que amo incondicionalmente e que me faz plenamente feliz. Aquele a quem nunca canso de dizer o quanto  amo e que toda noite lê um livrinho para mim!

24 comentários:

Diacuy postou o comentário de número:

owww fiquei emocionada em me ver por aqui. No post da mulher que mais lê que eu conheço.

Ju Ramalho postou o comentário de número:

Oei passando por aqui em uma rapidinha gostosa kakakakakakak


Cissa adorei ler seu post, viajei nas suas linhas e até posso ouvir sua voz citando os títulos... devo a vc os meus arquivos dos livros de romance que me enviou, leio sempre que uma pesquisa cansativa ou trabalho acadêmico me pega, vou alternando no note... tb leio quando estou pintando... etc... faço muito bom uso deles...

Eu estou lendo muita leitura chata e pesada de área argh, é necessário, e ando em umas ondas de romance água com açúcar pra dormir bobinha e feliz hahahha marido me deu uns do Nickolas Sparks... amo um drama, adoro biografias e tudo o mais... e até que tá sendo bom pra me distrair... mas eu anotei vários títulos seus... acho vc super super superrrr culta, e to precisando voltar aos clássicos... vamos ver uma hora... ganhar livros é bom demais!!! vc é felizarda!

Todos os meus amigos sabem que amo LER e leio desde bula de remédio a papel jogado no chão kkk pra passar tempo e incrivelmente eles nunca se tocam, alguns são tão baratinhos, amo livros de sebo tb... mas acho que a cultura aqui no BR é ainda que dar livros é "coisa pouca" sei lá kakkkk, mas já avisei, esse ano quero coisas pra casinha e coisas pra cabecinha ops ops kkkkk

Beijos Cissa adorei a homenagem a sue pai e filhote... o meu tb está ausente e é um dia que não gosto muito de pensar, mas minha mãe é pai e mãe então mesmo que longe ligo pra ela... meu faleceu conversando comigo e não gosto de lembrar, mas da forma que vc colocou no fim ficou leve...

Beijão e se cuida, com a glicemia... nossa Cissa..... de verdade mesmo se cuida.

Ju Ramalho
www.inquietacoes.com.br

Sandra postou o comentário de número:

Ai Cintia, lindo demais este teu post. Belíssimo e sensível relato de uma amente dos livros.
E a história do seu pai, que eu não conhecia, à véspera do dia deles, me arrancou lágrimas.

Beijos, querida.

Neli Rodrigues postou o comentário de número:

Adorei sua crônica.
Não era uma crônica?
Mas ficou ótima.
Mto bom saber da sua vida pelo mundo da leitura.
Lindo seu esmalte, adoro essas cores, clássicas mesmo.
Bjs

Orvalho do Céu postou o comentário de número:

Olá, querida
Interessante esse tema de BC ligando o básico (normalmente) das mulheres a algo mais relevante... inteligente BC...
Deus te cubra de bênçãos e te faça feliz!!!
Bjs festivos de paz

Lauisa Sousa postou o comentário de número:

Querida Cissa..fiquei aqui encantada com teu post, essencial um show de História..lindo o seu pai que homem encantador..ótimos livros e maravilhoso lembrar até dos dicionários kkk Um exemplo..amei as unhas tb!Fique com Deus

Marion postou o comentário de número:

Lindo, Cissa! Eu tenho sempre um livro na cabeceira, mas confesso q não leio muito assim,k em casa, pq preciso ler muito no meu dia-a-dia de trabalho e pesquisa. Mas já li bastante...e, como tu, para o momento leitura gosto do que é leve - ou, como agora, ler em inglês pra ativar os neurônios, hehehe! Abs.

Mell Santos postou o comentário de número:

Muito lindo esse post me emocionei.
Parabéns pelo post;
Bjs Mell.

Fernanda postou o comentário de número:

Oummmmm que linda eu ali tb.....mas ooo esse papo de leituras leve nao cola nao ta?

Parabéns amigairma

Beijoooooo

Lúcia Soares postou o comentário de número:

Cissa, um lindo texto, num dia tão difícil para você (o mal-estar na rua e a perda da amiga).
Ler é muito bom: distrai, alegra, ensina, podemos chorar, nos envolvermos totalmente, viajar, conhecer, sonhar.
Pelo visto, seu conhecimento é muito vasto, você é uma boa leitora e sabe escolher bem.
Também adoro ler livros que apenas distraem, não precisamos de lições o tempo todo.
Amava usar Rebu, hj não uso, pois sou alérgica.
Beijo!

Hilsa Camargo postou o comentário de número:

Cissa, que post lindo... eu amo tanto livros e é tão bom ver pessoas que como eu, entendem que o mundo sempre pode ser melhor depois de lermos um bom livro!

Muito curioso o caso do seu pai... risos.

Beijocas

www.vidabonita.com.br

Chris Ferreira postou o comentário de número:

OI Cissa,
eu também amo ler. Gostei de ver a National Geographicas aqui. Quando eu era adolescente eu colecionava essa revista e não perdia um exemplar. Lia todos e vaijava com ela.
Gostei muio da imagem do balé e do esmalte.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Cíntia postou o comentário de número:

Muito legal seu post,Cissa!!!Adorei seu relato pelo mundo da leitura :) Beijoss

Crys Leite postou o comentário de número:

Olá! Que post legal. Acredito que o conhecimento é a melhor arma contra qualquer coisa. Desde cedo aprendi com meus pais que para ser alguém na vida eu precisava estudar. Desde criança sempre gostei de aprender e graças a isso passei em uma universidade pública super concorrida. Não sei quase nada, ainda preciso aprender muito, por isso faço dos livros grandes companheiros. Beijos!

Di Rodrigues postou o comentário de número:

Adorei o post. Vc é a prova de que quanto mais se lê, melhor se escreve.
Bjs.

Ana postou o comentário de número:

Que post lindo!
Impressionada com seu nível de leitura.
Li Cem Anos de Solidão e fiquei mega deprimida.
Como eu disse no meu post, to na fase mulherzinha, só leituras adocicadas (com adoçante, claro)

Adorei o esmalte, amor vermelhos e afins...

Beijos e uma linda semana

Lola postou o comentário de número:

Que história a dos seus pais Cissa! E que desfecho maravilhoso numa filha que ama ler!
Gostei também das unhas.
Bjs

Adriana postou o comentário de número:

CISSA, LER É TUDIBOM E MUUUITO MAIS!!! ESTOU LENDO 'PORTO SEGURO"... UM DRAMINHA PRA VARIAR... ADOOORO!!!

BJS E BJS

Ana . postou o comentário de número:

muito emocionante seu post, a história do seu pai, lembra muito "O Leitor". A combinação rebu+rubi é um clássico. Adorei conhecer seu blg

Palavras Vagabundas postou o comentário de número:

Cissa,
lindo post e mais lindo a história de seu pai, lá em casa também status era conhecimento!
No momento estou com preguiça de pensar, portanto lendo bastante romancinho, mas em geral estou relendo pois nada tem me conquistado para gastar dinheiro, rs
bjs
Jussara

Kelly Dias postou o comentário de número:

Na adolescência eu lia muito, hoje ainda leio mas nem chego perto doque lia!!! Queria ter mais tempo...bj

Luciana. postou o comentário de número:

Oi Cissa! Nossa mulher... você lê um bocado, hein?!!! Eu também amo ler!!
Muito legal a história do teu Pai, minha avó materna foi aprender a ler e escrever lá pelos 66 anos, depois que meu avô morreu ela se matriculou e começou a frequentar sem contar para ninguém, fomos saber depois de meses que ela ja frequentava as aulas, achei maravilhoso!
Amei o esmalte!
Linda a homenagem que fez aos homens da tua vida!!!
Bjos, Lú.

Yasmin Falcao postou o comentário de número:

Cinthia, eu estou emocionada com seu post . . .Porque é exatamente o que eu sinto e acredito a respeito da leitura ... Meu pensamento viaja solto (:

Um Beijo ;*

Yasmin Falcão

patty postou o comentário de número:

Isso temos em comum, eu não vivo sem um livro. Bem, sem pelo menos um, ha ha! Bjs!

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