Causo, luva e cupcake…

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

 

Semana passada, conversando com a @Aline_Castro2, me lembrei claramente dessa história que vou contar abaixo. Aviso que, embora me controle para não emitir juízo, ele transparece na formulação do texto e na escolha das palavras. Desta forma, a história segue sob meu olhar e meu juízo de valores, ok? (Ficou sério isso aqui de repente, né?! Cruzes, levei até medo de mim mesma agora, kkk, é que de vez enquando a históriadora que habita os recônditos do meu ser faz questão de marcar presença.)

Mas vamos a história…

Era uma vez, um casal muito apaixonado, 30 anos de convivência, uma cumplicidade sem igual, um amor declarado aos quatro ventos. Os filhos sempre pensavam do que seria de um se o outro partisse primeiro e a constatação era a mesma: o outro sucumbiria também.

Certo dia, a mulher descobre-se muito doente e logo em seguida vem a morrer. O marido se desesperou, a família se desesperou. Os filhos entraram em pânico, pois pelo que conheciam do pai  ele não aguentaria muito tempo sem a mulher ao lado.

Uma das filhas, a única solteira, na casa dos 30 anos, que morava numa cidade vizinha, pediu transferência e veio morar com o pai, pois todos temiam pelos próximos acontecimentos.

A filha veio de mudança, vendeu tudo o que tinha, largou toda sua história para auxiliar o pai neste momento decisivo. Não questionou em nenhum ponto tal decisão, qualquer coisa deveria ser colocada em segundo plano, afinal, como filha, ela tinha o dever de cuidar do pai.

No começo, ambos sofriam demais. A filha não sabia o que fazer para consolar o pai, tirá-lo do buraco em que se afundava. Até na hora das refeições, ele colocava um prato a mais com uma foto da mulher para sentí-la próxima durante um momento tão significativo e familiar.

Ninguém podia tocar nas coisas que pertenceram a amada, seus cristais, sua prataria, suas lindas toalhas de linho brancas,  perfeitamente engomadas e perfumadas, permaneciam no mesmo lugar. Nenhuma das filhas teve permissão de levar consigo aquele tesouro que pertenceu a mãe. E ela tinha muita coisa, tudo lindo e intocado, afinal,  na rotina de uma grande família não havia espaço para cristais ou toalhas de linho. Mas a  mãe guardava tudo,  pois um dia iria usar, provavelmente  numa ocasião importante,  e nessa hora, tudo deveria estar perfeito.

Aos poucos, as coisas foram melhorando, a filha começou a perceber as mudanças no pai, enfim ele reagia! A foto da mãe não estava mais presente nas refeições, o pai parecia mais feliz, falava sobre outros assuntos, começava a retomar sua vida…

Passados 3 meses,  a filha chegou em casa depois do trabalho e encontrou visitas. Uma vizinha viúva, preparava o jantar. A mesa posta com a melhor toalha (sim, a de linho, aquela alva, engomada, perfumada que ninguém, nem mesmo as filhas tinham permissão de tocar), a melhor louça, os cristais e a prataria.

Na hora,  um sentimento de revolta se apoderou da filha… Como essas pessoas estavam na casa de sua mãe, mexendo em tudo? O que fizeram com seu pai para que ele permitisse tal afronta? Até o filho adolescente da viúva se encontrava sentado na cadeira que pertenceu a sua mãe… Porém, ela reconsiderou, era um grande avanço e o pai merecia se livrar do peso da ausência da mãe.

Na hora do jantar, o pai faz questão que a viúva se sentasse no mesmo lugar onde sentava sua mãe e anunciou o casamento.

A partir dalí começou uma sucessão de fatos que tiraram, desta vez, os filhos do rumo.

A nova esposa exigiu  lua de mel, coisa que a mãe nunca teve pois todo o dinheiro era usado para o conforto da família e a formação dos filhos.

Tudo aquilo que era da mãe, guardado a sete chave,  protegido contra qualquer dano, passa a ser usado cotidianamente, pois segundo a esposa atual, ela não queria morrer e deixar as coisas para outros usarem. A partir daquele momento sua mãe passou a ser tratada como “a falecida”…

A filha que largara tudo, teve que repensar sua vida, providenciou a mudança pois era inconcebível,  segundo sua madrasta,  que ela permanecesse sob o mesmo teto do novo casal, que queriam privacidade, embora o filho adolescente da madrasta morasse na mesma casa que o casal.

Fotos da sua mãe e dos irmãos foram arrancados da parede e receberam  um destino desconhecido,  substituidas por fotos do novo casal em lua de mel.

E assim a vida continuou. Os filhos sem entender como a ferida cicatrizou tão rápido, a filha desesperada vendo que não tinha mais nada, sendo obrigada a repensar sua vida e seus valores e o pai declarando que nunca, em toda sua vida,  foi mais feliz…

 

Por isso digo, nada e nem nínguém são insubstituíveis, e muitas vezes nos pegamos tão arraigados em valores e projetos definitivos que não nos permitimos ser felizes, nos negamos o direito de viver o presente, de aproveitar as conquistas, de dividir com os nossos o prazer de pequenos atos de valorização individual e coletiva. Então aproveite tudo o que você conquista diariamente, festeje os detalhes, se presentei e se permita desfrutar daquilo que você merece, porque nunca existirá o momento perfeito, a  não ser o agora!

Toda essa conversa por causa disso aqui:

A @Aline_Castro2 me encomendou essa luva chiquetérrima de cupcake e disse que estava com dó de usar…   Claro que na mesma hora lembrei da história  aí de cima e pedi a Aline para nos mandar uma prova do produto em uso, rs.

 

aline

Fala se não é puro glamour uma luva dessas!!! Agora segue a @Aline_Castro2 no twitter e aproveita para ver o que ela achou das luvas, rs.

26 comentários:

Aline postou o comentário de número:

Oi Cissa!

Confesso que fiquei com medo da historia pois meu marido fala sempre que NUNCA se casaria de novo!!

E olha pode ter certeza que vou usar minha LINDA luva até acabar,assim ngm vai poder usar depois!!kk

Obrigada pelo carinho que foi feita esta luva!!

Beijos!!

Priscila postou o comentário de número:

É verdade, não devemos guardar nada que seja bonito para usar em uma ocasião especial. As ocasiões especiais somos nós que fazemos. E quanto a sua história, minha mãe sempre me disse que viúvo é quem morre, pois quem fica, quer mais é saber de curtir a vida.
Que isso nunca aconteça conosco. E meu marido nunca coloque outra em minha cadeira, bota na do lado pelo menos! Beijos e vale o aprendizado.

Mara Lucia Bechara postou o comentário de número:

...kkkkkk....primeiro vou rir desse viúvo inconsolável...não existe homem que fique só.....kkkk...agora vamos a moral da história,NUNCA GUARDE NADA USE TUDO...tenha o prazer de usar roupas de cama,mesa, banho,enfeites..etc e tal ...USUFLUA a vida é tão efemêra.......Minhas lindas Cintia e blogueiras que a acompanham escutem esse conselho,como se fosse de sua avó....
bjjssss
Meu Cachixo

Neli Rodrigues postou o comentário de número:

Cintia, concordo totalmente!!
Aqui em casa não tenho não que ainda não tenha sido usado, não guardo nada prá ocasião especial, minha data especial é HOJE.
Meu sogro, por exemplo, tem uma "adega" cheia de vinhos, não toma nunca...eu as vezes faço um simples espaguete e tomo o meu vinho nas minhas taças de cristal. Se eu morrer amanhã, a outra, não vai ter o gostinho de usar nada novo, a não ser que ela compre, é claro!
Bjs♥

Anônimo postou o comentário de número:

Sua História é muito bonita e triste ao mesmo tempo, mas fala de uma grande verdade... Devemos agradecer e aproveitar cada segundo de nossa vida. Parabéns. Maguinho (marido da Aline). Bjs.

Mania D' Marie postou o comentário de número:

Amiga que história linda,me emocionei demais,as luvas,ficaram lindas.
Cheiro!!

Elaine Tasquim Biason postou o comentário de número:

Oi Cissa!!!
Lembro bem desse dia, afinal eu que fiquei zoando a Aline sobre essa possibilidade, de ela guardar td e a nova esposa do Maguinho usar td que ela guarda com tanto zelo, rsrsrsrsr...
Devemos aproveitar td que temos, nos permitir usar o bonito! Merecemos as melhores toalhas e talheres, pro dia a dia mesmo!!!
Merecemos sentar em uma mesa bem arrumada, com tudo que temos de melhor!! Adorei o post e mto linda as luvas da Aline!!!

Paula...(Cotidiano de uma Amig@) postou o comentário de número:

Oi Cintia...

Que história! Já ouvi outras parecidas, e sempre são os homens que mais esquecem com facilidade. Meu marido diz que NUNCA mais casa, TÁ que acredito!! Uso TUDO e mais um pouco!!...rs.

Luvas lindas!!

beijooo

Luma Rosa postou o comentário de número:

Hehehehe para garantir o meu lugar, já disse que se morrer primeiro, venho assombrar!!

Existem pessoas e pessoas. Minha tia morreu e passado um mês, meu tio morreu - morte natural!

Uma amiga foi traída, descobriu e passou a se comportar como a segunda esposa. Não guarda nada para "ocasiões especiais". Chegou a conclusão tardiamente que o melhor tem que fazer por ela mesma. Principalmente no quesito: Guardar roupas para ocasiões especiais. Passou a se produzir melhor e gastar mais o dinheiro do marido - No caso dela, por causa da traição, pensou: Antes que gaste o dinheiro com outra, gasto eu! Contando assim, faz parecer que ela é uma mulher fútil. Mas sofreu muito quando soube.

Boa semana! Beijus,

Keilla Colombo postou o comentário de número:

Adorei a história e a moral dela, muito interessante, e as luvas são lindas mesmos, a Alina estava sendo boba em não usar...
Essa história me lembrou perfeitamente uma frase que minha tia sempre diz, quando alguém insisti em ficar guardando algo....
Diz que se não usarmos nossas coisas, a "outra" usa quando morrermos, rsrsrsrsr

Bjossss

Joana Abreu postou o comentário de número:

Essa história aconteceu parecidíssima na minha família, com um tio do meu pai. Só que no caso, ele manteve uma amante, na verdade uma segunda família, durante todos os anos que esteve casado. Morrendo a tia do meu pai, esse tio mudou de mala e cuia definitivamente para a casa da outra (que cheguei a conhecer), que ele amava e foi se feliz. Casou, mudou e convidou todo mundo rs. Ou seja: manteve por mais de 50 anos um casamento de aparência e uma vida dupla. Filhos revoltaram, mas hoje convivem bem e muito bem e ela cuida do "veinho" com todo o amor e carinho. No final as coisas se ajeitaram rs e todos estão felizes.
A luva é um luxo e já que o serviço de casa é de doer (detesto, mas faço rs) pelo menos com luvas chiquérrimas, né :)!!!
Beijinhos

Coisas de Ceci postou o comentário de número:

Cissa, meus pais são casados a 46anos e minha mãe tem toalhas de mesa de linho ,bordadas e louçaas finas que NUNCA usa. Sempre digo a ela:Use tudo senão pode vir OUTRA e usar e quebrar tudo!!
Eu uso tudo que tenho em casa,afinal a minha família merece a mesa mais bela nas ocasiões especiais.Meus filhos já sabem que o almoço vai ser de festa quando veem a toalha sendo engomada e a louça e taças sendo lavadas.
Temos que vier tudo hj pq ninguem sabe do dia do amanhã.
Bj,Cecília

Mari postou o comentário de número:

Bom dia querida! Eu sou adepta desse pensamento. Viver tem que ser pra agora, não pra amanhã. Meu marido sempre tá pela estrada,caminhoneiro. E teve um tempo que adoecia e não comprava medicamento, porque estava caro...não se alimentava em algum restaurante na estrada que fosse um pouco mais caro. E, por fim, adoeceu feio, quase uma depressão, uma angústia, estressado. O conselho que eu dei foi que ele se cuidasse, tomasse pra si sempre o melhor, para seu bem estar fisico e mental, porque se ele morresse, eu choraria muito no princípio, mas o tempo trataria de me curar e logo logo ele seria apenas uma lembrança boa. Fui dura? Não. Fui verdadeira. É assim que acontece. Cuide-se, ame-se e viva a vida com muita intensidade. Ninguém poderá viver por vc. bjs

Fabiana postou o comentário de número:

Olha Cissa é isso aí mesmo, ninguém nessa vida é insubstituível...
Eu mesma me pego guardando coisas com dó de usá-las...

Eu amei as luvas, quero fazer, já te incomodei no Twitter para saber como faz...kkk Vou tentar depois te conto... é muito glamour usar uma luva assim toda linda!

Bjos, Fabiana

Lola postou o comentário de número:

Cissa, vou te contar outra história, parecida demais com essa, mas ao contrário!
Meu pai veio de uma família pobre. Foi criado pela avó materna porque a mãe verdadeira o abandonou. Ele "se fez" sozinho. Estudou a vida inteira em escola pública e, mesmo assim, fez a Universidade Federal do Paraná, comendo pão com mortadela para poder comprar os livros, chegando até o Mestrado nesse mesmo local. Deu aulas, casou-se e foi ser Diretor de uma empresa farmacêutica. Continuou estudando e fez seu Doutorado na França. Morreu sem concluír sua tese que era o desenvolvimento da Vacina contra a doença de Chagas. Meu pai morreu com 41. Ele faleceu em Agosto e completaria 42 anos em Outubro. Nesses seus 40 e poucos anos de vida, quando começou a ficar bem financeiramente, um dos seus lemas era: "Se eu posso aproveitar hoje, não vou deixar pra amanhã". Se ele ganhava de alguém uma camisa de seda chiquérrima e cara, ele não esperava uma ocasião para usá-la. Ía, no dia seguinte mesmo, trabalhar com a dita cuja, mesmo sabendo que iría sujá-la com as fórmulas que inventava, ficando fedido de remédio pra sempre! hahaha Minha mãe ficava possessa, mas ele era assim: aproveitava o que lhe era possível. Hoje vejo que meu pai viveu pouco mas viveu muito mais que pessoas que conheço com mais de 80 anos, sem aproveitar um tiquinho do que tiveram ou do que possuem!

Bjs

Lia Gloria postou o comentário de número:

Não tenho apego a nada, exceto fotos, por isso já liberei meu marido até de me visitar em cemitério! Falei que quero ser cremada. Ele perguntou 'onde jogo as cinzas?', eu falei pra jogar num lugar onde ele sempre vá. Ele disse: 'no vaso sanitário então' kkkkkk sei que estava brincando mas se for, que seja! Essa história é comum em várias famílias, é a vida, que continua, felizmente pra quem fica.E não significa que a pessoa enlutada, não foi sincera nos seus sentimentos. A grande lição é essa mesma: USE TUDO O QUE TEM, PQ VC MERECE O MELHOR! bjs

Ana Maria ( Jeito de Casa ) postou o comentário de número:

oi Cintia

Fiquei revoltada com o coroa..ahaha

sou daquelas que guarda..que tem pena... que segura o dinheiro... é difícil mudar nossa maneira de ser...
mas vou repensar mais essa história.
Linda luva!!!!!!!

bjooo

Bibia Bueno postou o comentário de número:

Nossa, que postagem forte!!! Acho que a Ise que ganhou o mixer no meu sorteio precisa ler, ela não quer usar o presente! Eita! Mas eu teria dó de usar a luvinha linda!
:)

Boa sorte no sorteio!
Beijocas! ☼
Bia

Atelier Marcia Bechara postou o comentário de número:

Oi Cissa vim te conhecer!!Mha irmã falou que vc é especial,e eu estou entrando nesse mundo de blogar....kkk...aos poucos chego lá,lindo seu blog,acho que deve ter tido algum problema, quando vc foi entrar como seguidora ,agora tá normal.
Obrigada pela visita...volte sempre
bjjss
Marcia

valquiria silveira postou o comentário de número:

vc é D + amei o texto ...Amizade é muito bom ter... Melhor ainda, quando ganhamos amigos sinceros... Preservá-los então... Uma conquista...Bj no teu coração uma semana linda !

Fernanda Fernandes postou o comentário de número:

OI Cissa,dê uma passadinho no blog...tem novidades por lá!

bjs

fernanda

Adri's Artes postou o comentário de número:

Oi!!! Menina quanto tempo eu não passo por aqui, tenho muitos post pra ler...mas to colocando a leitura em dia!!!
Adorei esta estória, e uma grande verdade!!! A gente tem pena de usar, mas olha pro lado e usa!!!!Nada de engavetar nadinha!!!
Mas você contado isso me lembrou algo que aconteceu comigo.
Logo que comecei a namorar o atual marido...vim almoçar na casa dele.... o almoço era uma delicia mas a toalha tinha ido a Guerra dos Farrapos...ahahahah!! Um tempo depois certo dia a namorado do filho vem almoçar e o moço me tira uma toalha linda e inteirinha da gaveta e coloca na mesa...ao meus céus... pra mim foi a rasgada!!! Até hoje implico com ele por causa disso...Nada de toalha no almoço pra ele...só quando tem visita...e olha que eu sou boazinha nem coloco as toalhas rasgadas...por que elas foram recicladas e se tornaram lindos panos de chão....ahahahahhah!Mil beijos com carinho!!!

Cibele Leite postou o comentário de número:

Cíntia, vim te conhecer, adoro o Iventando Casa da Querida Ana Paula, ela citou seu blog no post e vim correndo, vc mora em Sinop é isso?
Ao ler esse texto pude ter a certeza de que viúvo é quem morre não quem fica.

Beijos, qdo puder passa lá, para me conhecer.

Arlete Castro postou o comentário de número:

Conheci teu blog, através de uma seguidora, parabéns.
Já sou tua seguidora.
Estou te convidando a conhecer meu blog de artes, rsrsrsr...
www.cositadospampas.blogspot.com
beijos

Entre Feltros e Tecidos postou o comentário de número:

Oi querida, tudo bem?
Amei a Luva vou fazer uma para mim tb tá?
Bjks e uma linda semana :)
Marília

Você co
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